E ai, pessoal?
O tempo em que eu não estou fazendo minha monografia anda me consumindo demais para escrever aqui rs.
Enfim, hoje estava no trem e percebi o seguinte “cartaz”:
É um consenso que a qualidade do serviço prestado pela Supervia é péssima. Os trens são na maioria velhos, e por isso vivem avariando, estão quase sempre lotados, atrasados e em condições de limpeza duvidosas. No entanto, é inegável que de uns tempos pra cá a Supervia está fazendo campanhas socioeducativas que são no mínimo bem interessantes, como a imagem postada acima. Tudo parece ter começado com a “Campanha Empata-porta”, mas hoje existe também a “Campanha lixo” (O lixo pode virar muita coisa. Menos passageiro da sua viagem) e a “Campanha convivência” (que envolve questões como o risco das travessias pelos trilhos e barulhos durante a viagem). E acrescento ainda nesse “bolo” a de conscientização sobre o uso do vagão feminino, em que funcionários da Surpervia sinalizam o vagão e passam conferindo se homens estão neles, sendo convidados a se retirarem.
Essa é uma boa iniciativa sim! Mas me pergunto: me parecem coisas tão básicas... Isso não é questão de educação e esta não era para vir de casa? Não vem, infelizmente, não vem. Tive o desprazer de presenciar uma avó ou mãe, nunca se sabe, de um menino de aproximadamente 4 anos jogando o saco de biscoito que ele havia acabado de comer pela janela do trem. Como se não fosse o bastante, depois de comerem bala, o próprio garotinho fez seu papel de “jogador de lixo pelas janelas” e sua mãe/avó soltou o papel no chão de maneira tão natural, abrindo espontaneamente as mãos, que me que talvez ela nem tenha percebido o que fez, pois essa atitude já se naturalizou em seu cotidiano. E isso, meus caros, não é a exceção, é a regra. Por atitudes assim que se faz necessário campanhas educativas com slogans “mamão com açúcar”, porque, afinal, de uma pessoa dessas não podemos exigir muito, não é mesmo?
Mas acreditem se quiser, existem usuários dos trens que discordam de algumas dessas campanhas. É o caso de uma senhora que ao ver a atuação dos funcionários da Supervia informando sobre a proibição da presença de homens no carro feminino, lei estadual 4733/2006, criticou a medida. Claro, a senhora estava confortavelmente sentada, assegurada de que ninguém iria incomodá-la. Mas uma vez, infelizmente, existem pessoas, não apenas homens, com desvio de conduta que se aproveitam de certas situações. No caso do vagão feminino o que se quer é garantir que ali mulheres poderão fazer sua viagem sem ter que se preocupar com situações constrangedoras. Semanas após a senhora reclamar, em um desrespeito a lei, ouvi burburinhos sobre um homem no vagão feminino estar se aproveitando de uma mulher. Ela não se calou e algumas pessoas começaram a falar sobre o assunto, o que conteve o homem, mas em alguns casos o constrangimento é tamanho para a pessoa, que ela se cala por vergonha. Sei que é basicamente nas estações finais que existe essa preocupação dos funcionários quanto a presença masculina nesses vagões. Mas acredito que esta é também uma iniciativa das usuárias e dos usuários.
Por hoje é isso. Fica aqui a esperança de que mais pessoas possam refletir sobre essas questões e que tornem a convivência com o outro mais agradável. O que nos falta é a consciência de que vivemos em sociedade.
Até!
